‘Tu não consegue dormir’: brasileiro conta rotina sob bombardeios e sirenes de emergência em meio ao conflito entre EUA, Israel e Irã
04/03/2026
(Foto: Reprodução) Sistema de defesa antimísseis desenvolvido por Israel para interceptar mísseis.
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã mudou a rotina de muitos brasileiros na região. O paraense Jacob Serruya, de 62 anos, que vive na cidade israelense de Nahariya, diz que, desde o início dos ataques, o país está parado, funcionando apenas serviços essenciais.
Jacob é jornalista e, desde 2019, mora com a família no norte de Israel, a quatro quilômetros da fronteira com o Líbano. Segundo ele, a situação é preocupante.
“Nós estamos nessa tensão. Tu não consegue dormir direito nem descansar”, diz.
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O paraense conta que, desde o início dos conflitos, no último sábado (28), Israel está em alerta máximo. Estabelecimentos estão fechados e a população não está trabalhando.
“Estamos com restrições gerais. Ninguém pode viajar, não tem trem, não tem ônibus. O país está parado”, afirma.
De acordo com ele, nos dias anteriores a situação estava calma, mas, diferente de conflitos passados, agora o clima está muito mais sério: “Está virando uma guerra regional e a gente não sabe o que vai acontecer”, teme.
Explosão é vista em Tel Aviv, em Israel, após ataque na noite deste sábado, 28 de fevereiro
John Wessels/AFP
Jacob diz que o governo emite relatórios para orientar a população, informando quais serviços continuam restritos e o que está liberado.
Os mísseis lançados pelo Irã são extremamente grandes, com carga explosiva enorme, explica. Ele conta que o alarme de emergência toca o tempo todo e que o barulho é “assustador”.
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“Todo mundo toma um susto com aquela mensagem. Porque, independente se o telefone está no silencioso ou não, vai tocar alto daquele jeito.”
A família de Jacob mora perto da fronteira com o Líbano e, no domingo (1º), o grupo extremista Hezbollah, aliado do regime iraniano, confirmou ataques com drones e foguetes contra o norte de Israel.
O paraense afirma que o alarme tocou nesta terça-feira (3) por causa de novos ataques do Hezbollah. “Onde passa o drone, os alarmes vão tocando para as pessoas se protegerem. É o tempo todo assim.”
Refúgio em bunkers
Jacob, a mulher Cássia Serruya e o filho Iago moram em um prédio de três andares sem elevador. Quando o país é atacado, a família desce as escadas até um bunker, um local seguro.
Família de Jacob procurando abrigo em um bunker.
Arquivo pessoal
Ele diz que o bunker tem apenas alguns colchonetes e que ficam no espaço por pelo menos 10 minutos, até receberem no celular a mensagem de que podem sair em segurança.
“Ele fica no subsolo, lá embaixo. Alguns estão a 30 metros de profundidade. Esse que eu vou fica a dois lances de escada e é bem protegido.”
Esperança de dias melhores
Para Jacob, a esperança é que o conflito acabe logo, pois é muito difícil. Se continuar, a família vai ficar perto de abrigos em áreas protegidas.
“O povo aqui é muito unido. Quando chega a guerra, um ajuda o outro, o que puder. As pessoas obedecem as recomendações do governo e do Exército”, diz.
Jacob Serruya é jornalista e paraense e atualmente vive em Israel.
Arquivo pessoal
Ele conta que a população já está acostumada com conflitos na região, pois viveu guerras com o Hamas e o Hezbollah em 2024 e 2023.
“Vamos levando, vamos esperar dias melhores”, comenta Jacob Serruya.
Contexto da guerra EUA e Israel x Irã
Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado (28), deflagrando a guerra entre os três países. Explosões foram registradas em Teerã e em diversas cidades iranianas.
Os bombardeios mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e outros membros de alto escalão da cúpula militar e governamental.
Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e bases militares americanas no Oriente Médio. A troca de ataques continua, com bombardeios diários entre Israel e Irã, presenciados em outros países da região.
Vídeo mostra coluna de fumaça na capital do Irã após ataque de Israel e dos EUA
Os EUA informaram no domingo que três militares foram mortos desde o início da guerra, e o presidente Trump prometeu “vingá-los”.
“Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas que travam uma guerra, basicamente, contra a civilização”, afirmou Trump.
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