Roda de conversa debate intolerância religiosa e direito à fé em terreiro de Umbanda

  • 09/02/2026
(Foto: Reprodução)
Debate reforça respeito e preservação das religiões africanas A intolerância religiosa, crime previsto em lei no Brasil, esteve no centro de uma roda de conversa realizada em Santarém, oeste do Pará. O encontro reuniu comunidade, estudantes e professores para discutir o respeito à diversidade de crenças e a preservação da memória das religiões de matriz africana. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp Com o tema ‘O terreiro ensina: entre o sagrado e o direito de crer’, a atividade ocorreu no espaço de Umbanda São Pedro e abriu espaço para reflexões sobre liberdade religiosa, ancestralidade e os desafios enfrentados por praticantes diante do preconceito. A iniciativa foi motivada por uma pesquisa de mestrado desenvolvida por Luciana Guedes. Ao contextualizar a proposta, a pesquisadora explicou que o trabalho nasceu da vivência no terreiro e do diálogo com os mais velhos da religião. “A pesquisa não foi eu comigo mesma, num quarto, no escritório, pensando numa pós-graduação para a minha vida. Mas foi na vivência, na convivência, dentro do espaço do terreiro”, afirmou. Luciana Guedes destacou ainda que episódios de intolerância vividos por integrantes da casa reforçaram a necessidade de tornar o debate público. “A gente foi entendendo da importância de falar sobre nossos espaços, sobre a nossa Umbanda, sobre a nossa espiritualidade, a fim de desmistificar”, explicou. Encontro realizado em Santarém promoveu reflexões sobre diversidade religiosa, memória ancestral e enfrentamento ao preconceito. Reprodução/TV Tapajós O encontro também deu voz a lideranças religiosas que vivem cotidianamente os impactos da discriminação. O sacerdote João Paulo Obarassy apontou que o enfrentamento à intolerância é um dos principais desafios das religiões de matriz africana. “O maior desafio nosso enquanto afro-religioso é justamente o combate contra a intolerância religiosa”, afirmou. Segundo o sacerdote, a afirmação da identidade religiosa passa pela ocupação dos espaços sagrados e pela visibilidade dos símbolos da fé. “É de suma importância estar dentro dos nossos espaços sagrados para que as pessoas possam aprender mais a nos respeitar”, ressaltou. A legislação brasileira assegura a liberdade de crença por meio da Constituição Federal e prevê punições para atos de discriminação, violência ou insulto motivados por religião. Em casos mais graves, a pena pode chegar a até cinco anos de prisão. A roda de conversa também foi marcada pela participação de educadores e pesquisadores. A professora Silvia Hale destacou a importância da aproximação entre universidade e comunidade religiosa. “A gente está aqui ouvindo os próprios participantes da religião falar com a gente, contar para a gente como eles se sentem”, relatou. Para João Paulo Obarassy, a presença de estudantes e professores no terreiro contribui para romper estigmas. Ele destacou que fazer com que os participantes da roda de conversa se tornem conhecedores de um pouco do que acontece dentro do terreiro ajuda a desconstruir visões distorcidas sobre a religião. VÍDEOS: Mais vistos do g1 Santarém e Região

FONTE: https://g1.globo.com/pa/santarem-regiao/noticia/2026/02/09/roda-de-conversa-debate-intolerancia-religiosa-e-direito-a-fe-em-terreiro-de-umbanda.ghtml


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