Pará é 2º estado no ranking nacional de conflitos no campo em 2025, aponta relatório da CPT

  • 09/05/2026
(Foto: Reprodução)
Conflito no campo Agência Brasil O Pará ocupou o segundo lugar no ranking nacional de conflitos no campo em 2025, com 179 ocorrências, ficando atrás apenas do Maranhão (209). O estado mantém presença constante entre os quatro com maiores índices de violência nos últimos anos, ao lado de Rondônia, Maranhão e Bahia. Os dados integram o Caderno de Conflitos no Campo 2025, da Comissão Pastoral da Terra, Regional Pará (CPT/PA), apresentado na última quinta-feira (7). A publicação anual reúne e analisa os principais registros de violência e resistência no campo brasileiro. “Em 2025, houve 26 assassinatos no campo, um número alarmante comparado a 2024, que teve 13. Essa violência contra a vida dos povos do campo, das águas e florestas é preocupante quando as reais raízes geradoras não são atacadas”, destaca Francisco Alan, coordenador regional da Comissão Pastoral da Terra Regional Pará. ✅ Clique e siga o canal do g1 PA no WhatsApp Conflitos por terra Os conflitos por terra seguem como principal foco de tensão. Foram registrados 142 casos relacionados à disputa pela ocupação e posse, também colocando o Pará na segunda posição nacional. Municípios como Santarém, São Félix do Xingu, Viseu, Barcarena e Altamira concentram os maiores números de ocorrências. Ao todo, 25.854 famílias foram impactadas por esses conflitos. Pará é líder em conflitos no campo, diz levantamento da Comissão Pastoral da Terra Amanda Costa/ Comissão Pastoral da Terra/Divulgação Os principais agentes causadores são fazendeiros (59 registros), seguidos pelos governos federal (21) e estadual (20), além de madeireiros, grileiros, empresários e mineradoras. Entre os grupos mais atingidos estão comunidades quilombolas (36 conflitos), povos indígenas (25), assentados, trabalhadores sem terra, pequenos proprietários, ribeirinhos e posseiros. Conflitos por água O Pará também lidera, pelo segundo ano consecutivo, os conflitos por água no país, com 21 registros. A maioria dos casos envolve uso e preservação, incluindo destruição e poluição, contaminação por minério e agrotóxicos, além de impedimento de acesso à água. Povos indígenas e ribeirinhos estão entre os mais afetados, e o garimpo aparece como principal agente gerador desses conflitos. No campo trabalhista, foram resgatados 44 trabalhadores em condições análogas à escravidão, distribuídos em 13 ocorrências. A maior parte dos casos está ligada à pecuária, seguida por atividades como carvoaria, extração de madeira e lavoura. Vídeos em alta no g1 As manifestações de luta tiveram 66 registros e participação de cerca de 85 mil pessoas em todo o estado. As mobilizações foram intensificadas antes, durante e após a realização da COP 30 em Belém. Assassinatos Ao menos 105 pessoas sofreram algum tipo de agressão física em decorrência dos conflitos. O estado registrou 7 assassinatos, liderando o ranking nacional ao lado de Rondônia. As vítimas incluem trabalhadores sem terra, um pescador e um servidor público. Também foram contabilizados casos de ferimentos, tentativas de assassinato e 38 ameaças de morte. “Os dados de 2025 revelam que a região Norte concentra as ocorrências de violência por terra que consequentemente acabam tirando vidas. São grupos sociais e/ou lideranças indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais que cotidianamente são ameaçados pelo simples fato de resistirem e lutarem por seus direitos”, destaca Francisco Alan. O lançamento dos dados busca contribuir para o aprofundamento do debate sobre a realidade agrária no Pará, fortalecer a denúncia das violações de direitos e ampliar a visibilidade das lutas dos povos e comunidades do campo. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará o Confira outras notícias do estado no g1 PA

FONTE: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/05/09/para-e-2o-estado-no-ranking-nacional-de-conflitos-no-campo-em-2025-aponta-relatorio-da-cpt.ghtml


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