Iniciativa solidária em Belém tenta garantir dignidade menstrual a mulheres em situação de rua

  • 21/01/2026
(Foto: Reprodução)
Pessoa dormindo na rua. g1 pernambuco Acordar mais um dia sem saber se vai ter comida, onde vai dormir ou se, ao menos, vai conseguir tomar um banho. Essa é a rotina de Mariane, que há sete anos vive nas ruas de Belém, no Pará. Além da fome e da falta de abrigo, ela enfrenta a dificuldade de manter a higiene básica, especialmente durante o período menstrual. Mariane tem 34 anos e faz parte das mais de duas mil pessoas que vivem em situação de rua na capital paraense, segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas para Pessoas em Situação de Rua, com base no Cadastro Único (CadÚnico). A falta de itens básicos de higiene leva mulheres em situação de rua a recorrerem a soluções improvisadas. Sem acesso regular a absorventes, banheiros ou água encanada, o cuidado diário passa a depender do que está disponível no momento. “A gente improvisa absorventes com um paninho, um pedaço de camiseta. O banho a gente tenta nas fontes de água que têm pela cidade, mas, quando não dá, vai no rio mesmo”, relata Mariane. Diante dessa realidade, iniciativas em Belém buscam minimizar a falta de acesso à higiene com a doação de kits básicos. É o caso do projeto Mulheres Por Elas (MPE), uma organização da sociedade civil que atende pessoas que menstruam e estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Clique e siga o canal do g1 Pará no WhatsApp População em situação de rua cresce 500% em oito anos em Belém Criado em 2019, o projeto reúne cerca de 28 voluntários que atuam principalmente na entrega de itens considerados essenciais para a higiene pessoal desse público. Os kits distribuídos pelo grupo incluem: ➡ absorventes, calcinhas, sabonete, shampoo, escova e pasta de dente, papel higiênico, desodorante e preservativos. Segundo a voluntária Karolini Pereira, que atua há três anos no projeto, a iniciativa surgiu a partir da percepção de que a falta de higiene pessoal impacta na dignidade, na saúde e na forma como essas pessoas são tratadas pela sociedade. “Tomar um banho digno, escovar os dentes, cuidar do próprio corpo é o mínimo das necessidades básicas de uma pessoa, principalmente no período menstrual, onde ela precisa ter um cuidado a mais”, afirma. Desafios de quem está em situação de rua Para Mariane, o acesso a esses itens faz toda a diferença. Segundo ela, a falta de limpeza pessoal contribui para situações de constrangimento e exclusão, inclusive quando tenta acessar serviços básicos. Ela conta, como exemplo, que enfrenta dificuldades ao tentar utilizar transporte público por causa da aparência, da sujeira e do cheiro do corpo. “Tem motorista que nem para. Alguns deixam a gente subir pela porta de trás, mas aí as pessoas de dentro começam a reclamar, tampar o nariz, virar o rosto”, relata. Iniciativas distribuem absorventes de forma gratuita em Belém Reprodução Mesmo conhecendo programas públicos que garantem a distribuição gratuita de absorventes e de outros itens, Mariane afirma que o preconceito ainda é uma barreira nas farmácias e unidades de saúde. “Chega no lugar e eles não param pra ouvir a gente. Há lugares que nem nos deixam entrar. Parece que é até crime pedir ajuda”, afirma. É a partir dessa compreensão que o Mulheres Por Elas estrutura suas ações. A proposta do grupo não se limita à entrega dos kits, mas busca também responder às diferentes realidades enfrentadas por pessoas em situação de vulnerabilidade. A voluntária explica que o grupo adota o termo “pessoas que menstruam” por reconhecer que a menstruação não é uma experiência exclusiva de mulheres cisgênero. A expressão também inclui homens trans e pessoas não binárias, e tem sido utilizada como forma de ampliar o acesso a direitos, sem excluir quem vivencia essa realidade. Com isso, as demandas mudam conforme o local: nas ruas, a principal necessidade é higiene; nas comunidades periféricas, surgem outras carências socioeconômicas. Além dos kits, o grupo promove oficinas e acesso à informação para fortalecer a autonomia e o conhecimento dessas pessoas. “Nesses espaços, muitas pessoas procuram a gente para tirar dúvidas sobre higiene pessoal, amamentação, uso de preservativos, ciclo menstrual e outras coisas sobre o próprio corpo. São necessidades que também estão ligadas à saúde e à dignidade”, explica. Básico para uns, privilégio para outros De acordo com Karolini, muitos doadores demonstram interesse em contribuir com o próximo, desde que a doação esteja alinhada ao que acreditam ser as necessidades de quem vai receber. A voluntária diz que ainda é comum a ideia de que a população em situação de rua precisa apenas de comida e, em determinados períodos, de agasalhos para enfrentar o frio. Quando o assunto é doação de itens de higiene, no entanto, há quem associe esse cuidado à vaidade. “É como se a pessoa tivesse que sobreviver só de mingau e sopão. Não que isso não seja importante, matar a fome é fundamental. Mas se higienizar é tão importante quanto”, afirma. Apesar da resistência de muitos doadores, o projeto se mantém de pé com a solidariedade de voluntários e de pessoas interessadas em contribuir. Ação da MPE na Ilha do Combu MPE Karolini conta que o Mulheres Por Elas sempre recebe entregas de itens de higiene, o que ajuda na elaboração dos kits, no entanto, o projeto enfrenta desafios para se manter, já que atua de forma independente e precisa também custear deslocamentos, alimentos e outras logísticas envolvidas nas ações. “Passamos o mês inteiro tentando arrecadar recursos para conseguir fazer as ações. Quando não há doações suficientes, muitas vezes precisamos tirar do próprio bolso”, relata Karolini. Ainda assim, o agradecimento recebido durante as ações é o que mantém o grupo ativo e em busca de apoio para dar continuidade ao trabalho. “Muitas mulheres dizem que estavam esperando por aquilo havia dias, e aí elas agradecem, ficam felizes com o que recebem. Sabemos que a rotina delas é difícil e, mesmo assim, conseguimos arrancar um sorriso. Isso é o que faz tudo valer a pena”, conclui. O g1 procurou a Prefeitura de Belém para entender quais políticas e ações voltadas à garantia de higiene básica a pessoas em situação de rua são feitas pela gestão municipal e aguarda retorno. População em situação de rua aumenta 500% em Belém ao longo de oito anos Vídeos com as principais notícias do Pará

FONTE: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/01/21/iniciativa-solidaria-em-belem-tenta-garantir-dignidade-menstrual-a-mulheres-em-situacao-de-rua.ghtml


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