Estudantes que atacaram sem-teto com arma de choque ficam em silêncio na delegacia e são liberados em Belém
14/04/2026
(Foto: Reprodução) Jovens envolvidos nas agressões a morador de rua se apresentam na delegacia em Belém
Os dois jovens suspeitos de agredir um homem em situação de rua com uma arma de choque compareceram à delegacia de Polícia Civil no bairro de São Brás, em Belém, nesta terça-feira (14).
Apesar de irem ao local para prestar depoimentos, os dois permaneceram em silêncio e foram liberados. Um inquérito foi instaurado pela Polícia Civil para investigar o caso e o dispositivo de choque foi apreendido e será periciado.
De acordo com as investigações, os suspeitos foram identificados como Altemar Sarmento Filho, apontado como a pessoa que usa a arma de choque, e Antônio Coelho, que teria registrado a ação.
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Altemar Sarmento Filho e Antonio Coelho, são suspeitos de ataque a homem em situação de rua em Belém.
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Antônio Coelho foi o primeiro a ir à delegacia. A defesa afirmou que "não tinha conhecimento da suposta participação dele no caso" e "que tomou ciência dos fatos apenas por meio da imprensa".
Já Altemar Sarmento Filho foi à polícia no fim da manhã. Ele chegou à delegacia acompanhado de advogados e com o rosto coberto por um paletó. Segundo a defesa, ele deve se reservar ao direito de permanecer em silêncio durante o depoimento à polícia. Ele foi liberado poucos minutos depois.
Segundo o advogado de defesa dele, Henrique Bulhosa, a arma de choque usada na agressão estava danificada.
"Se a arma realmente fosse de grande letalidade, qualquer pessoa seria paralisada. A arma era danificada", afirmou o advogado.
O advogado afirmou ainda que a equipe jurídica vai aguardar a perícia dos vídeos e a conclusão do inquérito policial. Ele também declarou que a arma de eletrochoque utilizada não seria letal, pois estaria danificada.
Em nota, a PC já havia informado que a arma de choque ficou apreendida e passaria por perícias, mas não citou em relação aos vídeos.
O advogado de Altemar lamentou o episódio e disse esperar que "tudo ocorra bem, principalmente para a vítima". Ele reconheceu a gravidade do ato, mas reforçou o papel na defesa do acusado.
"O que ele fez, lógico que eu não vou dizer que é certo, lógico que é errado, mas ele tem direito a defesa, com a conclusão do inquérito e que ele seja tratado sem linchamento virtual", disse.
Entenda o caso
Na manhã de segunda-feira (13), entregadores de aplicativo se revoltaram com o caso de um homem em situação de rua atacado com uma arma de choque em frente a uma universidade particular, na avenida Alcindo Cacela, em Belém.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram duas ocasiões em que um estudante se aproxima da vítima, que caminhava de costas, e aplica descargas elétricas em pelo menos duas ocasiões - Veja no vídeo abaixo.
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Estudantes de direito atacam homem em situação de rua com arma de choque em Belém
Nas imagens, é possível ver os dois alunos participando da ação e rindo durante a agressão. O caso gerou revolta nas redes sociais e provocou reações do MPF e de deputada estadual na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), cobrando providências.
De acordo com a instituição de ensino, os dois suspeitos, estudantes do curso de Direito, foram afastados após o caso.
Os entregadores de aplicativo que presenciaram a agressão e tentaram alcançar os suspeitos, mas os dois correram para dentro do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa). Houve confusão e a Polícia Militar foi acionada.
A Polícia Civil informou que o caso segue em investigação para apurar as circunstâncias das agressões e se há envolvimento dos suspeitos em outros episódios semelhantes.
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