CONTEÚDO DIGITAL SUPERA TV E RÁDIO COMO PRINCIPAL FONTE DE INFORMAÇÃO NO BRASIL

  • 13/04/2026
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CONTEÚDO DIGITAL SUPERA TV E RÁDIO COMO PRINCIPAL FONTE DE INFORMAÇÃO NO BRASIL

Pesquisa inédita revela que redes sociais e aplicativos de mensagens dominam o cotidiano informativo dos brasileiros, enquanto cresce o contato diário com deepfakes.


As plataformas digitais consolidaram sua posição como o principal canal de acesso à informação para os brasileiros. Pela primeira vez, o consumo de conteúdos em redes sociais e aplicativos de mensagens superou as mídias tradicionais, como rádio e televisão, entre usuários de internet com 16 anos ou mais.

Os dados integram a pesquisa “Painel TIC – Integridade da Informação“, lançada nesta sexta-feira (10) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). O estudo mapeou o comportamento de 5.250 internautas e traça um diagnóstico sobre como o país lida com notícias e desinformação.

O novo ecossistema da notícia
De acordo com o levantamento do Cetic.br, 72% dos entrevistados acessam informações diariamente por meio de redes sociais. Esse consumo é impulsionado principalmente por:

Vídeos curtos: 53%;
Sites ou apps de vídeo: 50%;
Feeds de notícias: 46%.
A pesquisa revela ainda que 60% se informam com frequência diária por aplicativos de mensagem, como o WhatsApp, superando o rádio e a televisão (telejornais, canais de notícias 24 horas e rádios AM/FM), que registram 58%. Na lanterna do consumo diário, aparecem os jornais e revistas (versões impressas ou digitais), com 34%.

Desconfiança e o desafio da checagem
Apesar do alto consumo digital, o brasileiro mantém um pé atrás com o que lê. Cerca de metade dos entrevistados (48%) afirma desconfiar “sempre” ou na maioria das vezes das notícias da imprensa tradicional. O índice é semelhante para canais de vídeo e streaming (47%) e influenciadores digitais (43%).

Um dado que acende o alerta para as autoridades é o desengajamento com a verdade. Segundo o Cetic.br, 34% dos usuários concordam que “não vale a pena pesquisar se uma informação é verdadeira ou falsa”, e 30% admitem não ter interesse nesse tipo de verificação. Esse comportamento é mais acentuado entre homens jovens e classes C, D e E.

Algoritmos e inteligência artificial
A pesquisa também identificou a falta de conhecimento dos brasileiros sobre as dinâmicas de recomendação dos algoritmos. Metade da população da pesquisa (50%) concorda que o que faz um conteúdo circular mais no ambiente online é ele ser mais confiável, enquanto 45% afirmam que todos encontram as mesmas informações quando pesquisam coisas na internet.

No campo da inteligência artificial, a presença de ferramentas generativas já faz parte da rotina:

Uso de IA: 47% dos internautas já utilizaram chatbots como ChatGPT.
WhatsApp: entre quem acessa a rede apenas pelo celular, a IA do WhatsApp é a ferramenta predominante (38%).
Deepfakes: 41% dos brasileiros relatam contato diário com deepfakes (áudios ou vídeos manipulados por IA).
Para Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, os resultados mostram que o enfrentamento à desinformação exige políticas públicas baseadas em evidências. “A pesquisa busca gerar reflexões sobre o tema ao mapear as dinâmicas informacionais de brasileiros, investigando desde práticas de acesso e verificação de conteúdos até percepções sobre o ecossistema digital e competências para identificar informações na internet”, destaca o executivo.
Fonte: Olhar Digital

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